Um alerta sobre as Danças Populares

As danças populares são expressões vivas da identidade de um povo. Elas carregam memórias, modos de vida, histórias e saberes construídos coletivamente ao longo do tempo. Preservá-las não significa transformá-las em peças de museu, intocáveis e congeladas, mas ter garantias de que sua essência continue reconhecível mesmo diante dos processos naturais de renovação artística. A evolução é necessária, as culturas populares sempre dialogaram com seu tempo, incorporando influências, recriando formas e produzindo novas leituras, defender a tradição não pode servir de justificativa para o conservadorismo estéril, nem para impedir a criatividade, a pesquisa e a inovação.

Por outro lado, a contemporaneidade não pode ser amparo para a descaracterização das danças populares. Em muitos festivais, especialmente os competitivos de ampla participação e/ou seleção, observa-se exponencial crescimento de coreografias baseadas, em sua maior parte ou totalidade de ações, nos códigos e sianis da dança moderna, da dança contemporânea e, principalmente, do jazz, trazendo pouquíssimos elementos técnicos característicos da manifestação cultural que apresentam ou nenhum. Quando a identidade da dança popular se torna apenas a exploração de uma tematica estetica, de um figurino ou de inspiração coreográfica de referência superficial, apesar da ampliação de sua divulgação, enfraquece-se o reconhecimento daqueles que pesquisam, preservam e desenvolvem essas linguagens de forma consistente e adequada, a modalidade como categoria perde sua essência de abrir espaços para quem realmente trabalha no desenvolvimento dessas linguagens populares e tradicionais da dança.

A valorização das danças populares não exclui espaço e a liberdade para novas abordagens, desde que haja diálogo real com as especificidades que constituem cada manifestação e seus significados, pois a arte cresce quando experimenta, mas as categorização só faz sentido quando se respeita aquilo que se propõe a representar e valorizar como segmento próprio e destacado. A preservação não significa estagnação, assim como atualização não significa abandono daquilo que é tradicional. O desafio está em construir pontes, mas principalmente ter cuidado para que a tradução cênica não cause justaemnte a descaraterização daquilo que se busca proteger enquanto patrimônio artisitico-cultural imaterial que carrega a identidade, ahistória e os costumes de um povo ou etnia. Somente com equilíbrio nas adapatações as danças populares continuarão vivas, relevantes e verdadeiramente reconhecidas não apenas pelo público geral, mas por quem vive isso na sua realidade, seja no meio profissional ou de forma amadora.

Capítulo IX – GRUPOS PARAFOLCLÓRICOS

  1. São assim chamados os grupos que apresentam folguedos e danças folclóricas, cujos
    integrantes, em sua maioria, não são portadores das tradições representadas, se
    organizam formalmente, e aprendem as danças e os folguedos através do estudo regular,
    em alguns casos, exclusivamente bibliográfico e de modo não espontâneo.
  2. Recomenda-se que tais grupos não concorram em nenhuma circunstância com os
    grupos populares e que em suas apresentações, seja esclarecido aos espectadores que
    seus espetáculos constituem recriações e aproveitamento das manifestações folclóricas.
  3. Os grupos parafolclóricos constituem uma alternativa para a prática de ensino e para
    a divulgação das tradições folclóricas, tanto para fins educativos como para atendimento
    a eventos turísticos e culturais.